Consenso e a racionalidade substantiva

Árvore Sagrada: prática de autogestão e tomada de decisão por consenso. (Imagem: Lorena Sasaki)
Nenhuma atividade pode vir a ser excelente se o mundo não apresenta um lugar adequado para isso. Para proporcionar esses lugares adequados, precisamos criar desenhos organizacionais que derivem dos interesses humanos, em oposição ao que geralmente ocorre na sociedade centrada no mercado, em que os interesses humanos são subordinados às organizações econômicas.

Vivemos em uma democracia participativa (ou não), onde a vontade da maioria é entendida como antagônica à da minoria. Esta minoria fica assim excluída do processo decisório político. O conflito é punido e reprimido na democracia.

O consenso é a superação da democracia excludente. O objetivo do consenso é convergir alternativas e possibilidades de atender a necessidades de diferentes grupos e setores sociais em soluções conciliatórias. O conflito é uma etapa necessária do processo de consenso.

É neste contexto que elaborei meu Trabalho de Conclusão do Curso de Administração. Depois de um ano de sua defesa, e já "consagrado" como pesquisador no Mestrado em Administração da Universidade Federal de Santa Catarina, finalmente disponibilizo minha maior produção científica (até o momento) para download! Baixe grátis:

A Racionalidade substantiva demonstrada na prática administrativa: estudo de caso no Bando Árvore Sagrada.

Resumo
Este é um trabalho da área da Administração Científica. Ele é útil para professores e estudiosos das Ciências da Administração, alunos e estudantes, além de empresários, executivos e gestores que praticam a Administração profissionalmente. Oferece aqui um estudo de caso que serve de inspiração para empresas e organizações produtivas em geral, no sentido de oferecer diretrizes para a criação de espaços sociais em que os indivíduos possam participar de relações verdadeiramente auto-gratificantes.

O objetivo geral deste estudo é identificar ações e práticas administrativas que podem ser empreendidas em organizações produtivas para aumentar seu grau de racionalidade substantiva, em especial com relação ao processo de tomada de decisões.

A estratégia utilizada foi a de pesquisa etnográfica, feita in loco, no Bando Árvore Sagrada, uma organização produtiva, não constituída legalmente, sem fins econômicos ou lucrativos de Florianópolis, Santa Catarina.

Foram revisados autores do paradigma crítico da Teoria das Organizações, buscando uma contextualização macro-social para o estudo criterioso do objeto de estudo. Esta revisão foi concentrada especialmente na “abordagem substantiva das organizações” proposta por Alberto Guerreiro Ramos (1981), com complementação de Maurício Serva (1996, 1997) e Karl Polanyi (2000).

Foram descritas as características singulares do Bando Árvore Sagrada, tais como a autogestão, sua atuação política como uma Zona Autônoma Temporária e o componente terapêutico da Soma e da capoeira angola. A análise prosseguiu com o estudo do processo de tomada de decisão por consenso na organização, para maior entendimento da auto-realização e da racionalidade substantiva na mesma. Por fim, foram feitas considerações a respeito das ações substantivas na prática administrativa do Bando Árvore Sagrada, e discutida sua extrapolação para outras organizações substantivas em outros contextos.

Através de revisão bibliográfica e pesquisa etnográfica, foram identificadas diversas práticas e ações administrativas de predominância substantiva, tanto na organização instrumental econômica Grupo Semco (SEMLER, 2003, 2006) quanto na isonomia substantiva Bando Árvore Sagrada.

SIQUEIRA, Gabriel de Mello Vianna. A Racionalidade substantiva demonstrada na prática administrativa: estudo de caso no Bando Árvore Sagrada. (111f). Trabalho de Conclusão de Estágio (Graduação em Administração). Curso de Administração, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.

Palavras-chave: Racionalidade Substantiva; Prática Administrativa; Consenso.
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